Mister Sam

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Um picareta de marca maior! No bom sentido, claro!
Talvez você ainda não tenha ouvido falar de Mister Sam, mas com certeza conhece o maior sucesso que ele produziu: a Gretchen e seu “Conga, conga, conga”.
Pelo nome artísticio, pensei que ele fosse norte-americano, mas é um argentino radicado em São Paulo (talvez seja o único argentino legal… hahaha)
Este foi outro disco que encontrei na promoção de R$1,50. Nada de Lincoln Olivetti, Mister Sam é muito mais legal!

O disco começa com “Grito da Torcida I”, um dance em que uma voz fala meio sussurrada “Geovane”, e depois o manjado “ai, ai, ai, em cima, em baixo, puxa e trás”. (***)

Depois vem “Boom Boom Mame”, cantada pelo próprio, e tem um ritmo muito legal mesmo. (****)

A letra de “Tango do Azarado I” é só desgraça: “minha filha cancerosa, minha irmã tuberculosa”, e segue falando todas as agruras de sua família. “Tudo isso eu agradeço ao meu pai que era um demente, já estou com trinta anos e não me nasceu nenhum dente”, “ontem meu irmão foi assassinado com trinta punhaladas, todas elas só de um lado”.
Talvez seja a única música do disco que tenha uma letra estruturada, e é interessante que seja tão obcecada com desgraça, apesar do humor. Isso pode ser um indício interessante da personalidade de Mister Sam. (***)

“Geovane Song” tem a mesma base da primeira música, com a diferença que não tem o “ai ai ai”, e só a voz falando “Geovane” (***).

“Funky Samba” é muito boa, o coro canta “É funk ê-ê, é samba ô-ô” e o Mister Sam fala “Tim Maia”, como se fosse aquela música do Jorge Ben Jor, mas com sotaque de gringo. (****)

“Conga, conga, conga” é aquele grande hit da Gretchen, só que aqui perde grande parte do charme, pois é o próprio Mister Sam que canta a letra, o que não deixa de ser curioso. (****)

A segunda parte do disco tem várias reprises, como “Grito da Torcida II”, um exemplo da picaretagem do Mister Sam, tem a mesma base da anterior, só muda o coro: “eô eô, o Romário é um terror”. (***)

“Zyk Boom” é a melhor do disco, um dance dos melhores que eu já ouvi! Totalmente estilo anos 80, lembrando bastante o Noel. Destaque para o ritmo forte e para o vocal feminino que fica só repetindo “Zyk, zyk, zyk boom / Zyk, zyk, zyk boom”, totalmente hipnótico. (*****)

“Blues for Jo” é, surpreendentemente, um blues bastante tradicional e instrumental, com banda e tudo, e não eletrônica como a maioria das músicas do disco, com todos os clichês imagináveis, mas bem inspirada. Destaque para o solo de baixo. (***)

“Ragga (Dub Version)” tem as batidas características de Mister Sam, mas aqui com um lance dub, bem simples e preciso, minimalista como é característico do Mister Sam. (****)

Depois tem “Funkysamba Groove”, versão alternativa de “Funky Samba”, mas é uma pena que não tenha o Mister Sam falando “Tim Maia” como na anterior, além dessa versão ser maior e mais arrastada. (**)

Para terminar, “Tango do Azarado II”, que é praticamente idêntica à primeira versão. Vai entender. Talvez seja pra fechar as doze músicas. Picaretagem.

“Até as Moscas Fazem Amor” – Claudio Maksoud – 1997

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Comprei este cd em uma baciada, 10 cds por R$1,50 cada, e ocasionalmente encontro alguns discos ótimos. É o caso deste “Até as Moscas Fazem Amor” do desconhecido Cláudio Maksoud, gravado em 1997.

O imperdível do cd são as faixas com letras humorísticas, com instrumental e melodia pop muito bons; a parte mais séria é mais fraca, um soul meio aguado.

A primeira faixa, que dá título ao disco, “Até as moscas fazem amor” é um xaveco torto dizendo que “só você não faz amor”, e aí faz uma lista doida de todos que fazem amor: moscas, pernilongos, dinossauros, petistas, capitalistas, suínos, rabinos, bichas, trichas, mato-grossenses, paranaenses, e por aí vai.

“Cheiro de Mar” é mais séria, e não tem nada de mais.

Em “Garota de Programa” ele homenageia as mulheres de vida fácil, citando até sexo com frutas (“eu nem posso ver melão que eu fico logo com tesão”), da dificuldade de apresentar a moça para a família em caso dele se apaixonar, e faz uma possível referência à música “Selim” dos Raimundos, só que indo além, ele diz “minha calça vai rasgar, o meu zíper arrebenta, meu mastro pula fora, a boate toda olha”; e ele ainda perde seu relógio ao entalar a mão naquela bolsa gigante; e a música termina com uma recitação, dizendo que adora estas mulheres porque elas já são abertas e fazem o Brasil um país mais ereto.

“Vamos a Lá Sauna” cita tanto aquela música dos anos 80, “Vamos a La Playa”, como também Blitz: “quer um chopinho? Não? Então, você quer uma batata frita? Não, você tá de dieta? Então vamos a la sauna”. O refrão é doido, porque ele cisma que sauna é praia de paulista… Mas é tão difícil alguém de São Paulo falar que vai na sauna. Seguindo a cartilha da Blitz, tem outras partes impagáveis, como “O meu nome, você quer saber? É Dong, Long Dong. Você me conhece? Você não me conhece não” (com uma risada e uma entonação bem picareta), e o cúmulo do xaveco furado: “Me fala o seguinte, você é daonde? De Ituverava… Eu sou de Ituverava também. Se eu sei como é lá? Tem uma praça e tal”, picareta pra caramba. O legal é que é uma música pop muito boa, muito bem feita, que poderia ser hit.

Depois vem a versão em português de “Venus” do Shocking Blue, que tem versos impagáveis como “Eu vi um disco voador / no meu liquidificador / rodava no meu suco de acerola / e apareceu um ser de camisola”, “queria usar a camisinha / de Vênus / ela era de Vênus”.

É interessante que as melhores músicas são as que o próprio Cláudio Maksoud compôs, as que ele não compôs, como “Cheiro de Mar”, de Valdir Carvalho, “Lua e Estrela”, de Vinícius Cantuária (com participação de Maurício Manieri (!!!) nos backing vocals e no piano), “Vontade de Voar”, também de Valdir Carvalho; são as mais fracas do disco, talvez uma tentativa de fazer um som mais comercial, voltado para tocar nas rádios, ganhar um dinheiro, mas a qualidade fica bem aquém das músicas com humor.

“Em nome do Senhor” é uma crítica às igrejas que só pensam em dinheiro, e surpreendentemente é uma das melhores músicas, com guitarras e violão muito bons, e ainda tem um coral gospel; mas a letra não vai muito além do lugar comum das músicas que criticam as igrejas.

“Meu Celular” tem um riff de guitarra que me lembrou um pouco Ultraje a Rigor, mas não é tão criativa, fala da namorada que não para de encher o saco ligando pro celular.

“Gostoso é Ir Pra Cama” é uma das melhores e mais surreais do disco, ele conta como é o seu domingo, lê a Veja e a Isto É, folheia os livros que comprou, estuda as tarefas da empresa, vai pra igreja, vai pra casa dos pais almoçar coca-cola com esfiha e kibe cru, ou macarrão com guaraná, e depois vai passear.

“Meu Amor” é outra música romântica sem nada demais, mas essa é composta pelo próprio Maksoud.

“Essa Vida é uma Piada”, apesar do nome, é a mais séria do disco, até meio depressiva, e mostra a atitude do Cláudio Maksoud com o absurdo da vida, que só dando risada mesmo; dizendo que enquanto o homem vai pra lua, o menino morrendo na rua, e também trechos pesados como “sua saúde é muito boa / ele está realizado / ele atravessa a rua / ele morre atropelado”. Procurando comunidades do Claudio Maksoud no orkut, em uma comunidade diz que ele também é escritor, tomando como base esta música parece que o livro pode ser interessante. (Sobre música que fala de desgraça aguarde em um próximo post, “Tango do Azarado” do Mister Sam. Não conhece? Foi ele que produziu a Gretchen… Aaaahhhh!!)

Até as Moscas Fazem Amor – ****

Cheiro de Mar – **

Garota de Programa – ****

Vamos a La Sauna – *****

Vênus – ****

Lua e Estrela – *

Vontade de Voar – *

Em Nome do Senhor – ***

Meu Celular – **

Gostoso é ir pra Cama – ****

Meu Amor – **

Essa vida é uma Piada – ***

Clássicos do Brega I – Reginaldo Rossi

Dobradinha do Reginaldo Rossi, das antigas, entre as minhas preferidas, da sua melhor fase, anos 70!

Link para baixar

O melhor trecho, o mais brega, o mais doído é:

A solidão é um punhal agudo

Mexendo aqui por dentro

Rebentando tudo

Eu não consigo te esquecer

Eu não consigo te esquecer

Você de mim está tão distante
Tua lembrança é o que me faz viver
A solidão em mim é tão constante

A solidão é um punhal agudo
Mexendo aqui por dentro
Rebentando tudo

Volta correndo e vem me ver
Não mais me deixe tão sozinho
Sou teu menino, vem me proteger
Vem me trazer o teu carinho, vem

A solidão é um punhal agudo
Mexendo aqui por dentro
Rebentando tudo

Saudade imensa

Entra, saudade imensa
E toma posse desse corpo
Ele é todo teu
Ela não volta

Nem por capricho
E eu submisso
Vou vivendo com você

Fere, fere bem fundo
Pois no meu mundo sem amor
É bom saudade ter

Saudade grande
És meu abrigo,
E o grande amigo que me ampara
Ao me ver sofrer

Wagner Montes – Renascer

Olá,

Este é meu novo blog, e procurarei escrever sobre diversos assuntos, e também postar diversos discos, preferencialmente os mais curiosos e os mais difíceis de se encontrar por aí.

Começarei pelo disco desta grande figura, que já foi jurado do programa Show de Calouros do Sílvio Santos, e é casado há 23 anos com Sônia Lima.

Estou falando dele, Wagner Montes!

Há uns tempos atrás ele tentou fazer um programa policial, mas parece que não ficou muito tempo no ar.

Atualmente, parece que ele é deputado no Rio de Janeiro. E em seu site (www.wagnermontes.com.br), ele disse que decidiu parar de cantar porque ele disse que “ele era uma merda cantando”.

Pra quem nunca imaginou que ele fosse cantor e tivesse lançado um disco, segue abaixo o link para baixar

O download que eu fiz, aparentemente veio com os nomes das músicas trocadas.

A primeira música, “Renascer”, é uma música romântica sem nada de mais.

Em “Solidão”, ele canta com seu peculiar estilo anasalado, ele diz “quando seu corpo despertar para o sol / já não estarei em seu lençol”, é bem mais interessante que a primeira.

“De Hoje em Diante” chama a atenção pelo arranjo estilo Tangerine Dream (!!!), com bastante suspense, porém, esse clima vai por água abaixo no refrão, que é bastante animado.

“Quem Depois de mim” também tem alguma coisa de Tangerine Dream, não tão marcante como a anterior, mas é legal por ter uma parte declamada: “apenas e tão somente pelo fato de você ter nascido e ter se feito mulher, existir, e ser minha mulher, amor”, com uma voz bem cafajeste.

“Fim de caso” tem um ritmo todo truncado, a música parece que não anda, e ele canta junto com o coro no refrão. É uma das mais difíceis do disco.

“Hei Você” é ao estilo de uma música do Casa das Máquinas, que é só falada (com uma voz de cronista de programa policial) e praticamente são só conselhos, como por exemplo: “hei você, que passa com uma garrafa de cachaça quase vazia, pra que serve a cachaça, hein?”, “você que esqueceu a cruz e lembrou a espada, e você é tão criança”. Uma das melhores do disco.

“Minha Descoberta”, com um ritmo latino bem legal, tem o sensacional refrão: “Colombo descobriu a América e eu descobri você”. Não precisa falar mais nada. Outro ponto alto do disco.

“Quem Depois de mim” é outra romântica normal, mas a melodia do refrão é bem bonita, e tem uma recitação também, com a sua impagável narração.

Em “Vida da Estrada”, que é bem bonita, ele parece falar sobre o grave acidente em que ele perdeu uma das pernas “ficaram uns dois, três torcendo pra sorte me achar de novo, o resto virou as costas, dancei na boca do povo”, “depois vi Deus me esperando”, “luzes, quero muitas luzes, ver de frente estas pessoas, que vontade de viver”.

“Amar” é bem chata, com som que parece um assobio constante, bem irritante.

E tem a impagável “Tema para uma comissária”, em que ele fala sobre seu amor por uma aeromoça: “decola o avião, e você pronta pra servir”, “lá em cima tudo igual, anda pra lá e pra cá”, “no pernoite uma saudade, fere com um açoite, que machuca e maltrata no seu quarto toda noite”. Imperdível!

A última que eu não sei o nome, que está com o nome errado, “eu quero amor”, deve ser “Vida de Estrada”, pois fala de um peão de boiadeiro, e outro que é caminhoneiro que transporta boi, o Wagner Montes já canta mal, e como o disco é tirado de vinil, ainda tem o fato do disco estar um pouco mais lento que o normal.

Tem outro link para baixar o disco, que talvez esteja com a ordem correta das faixas

Link 2 para o disco

Boa diversão!