Argélia

Bandeira da Argélia

Filme

Assisti em uma Mostra de Cinema de São Paulo, um filme argelino, relativamente interessante, mas infelizmente não lembro o nome.

O filme já começa mostrando um boi sendo morto com um facão no pescoço, e o sangue jorrando abundantemente, depois os pedaços da carne são dispostos na grama, para que as famílias, muçulmanas, irem pegando os pedaços de carne.

Pelo que eu lembro, a história não trazia muita novidade, o filme conta a história de um jovem francês, branco, que, não lembro o motivo, se muda para a Argélia.

Porém, tem cenas que ficaram marcadas na minha memória, como uma em que ele está conversando e brincando com uma mulher argelina numa praia, e na praia existe um imenso navio encalhado e enferrujado, trazendo um interessante contraste na paisagem, até deixando-a mais bonita, com os raios do pôr-do-sol batendo na ferrugem.

E tinha um outro recurso interessante, que eu acho que eram desse filme, se eu não estiver me confundindo, nos momentos que o personagem principal estava pensativo, num morro perto da praia, a trilha sonora feita por uma guitarra meio barulhenta, meio dissonante, meio ambient, na verdade tinha um cara tocando guitarra ali no mesmo momento.

Foi um filme interessante. Nota: 7

Comida – restaurante Agadir

Restaurante Agadir

Para quem mora ou visita São Paulo, vale muito a pena ir conhecer o restaurante Agadir, com culinária tipicamente marroquina (parecida com a culinária da Argélia, por ser país vizinho).

O cuscuz marroquino, que não tem absolutamente nada a ver com o que conhecemos por cuscuz, trata-se de grãos de semolina cozidos num ponto que ficam bem macios, acompanhado por legumes cozidos variados e um tempero delicioso.

Pode ser acompanhado por tajine de cordeiro com amêndoas e ameixas. É levemente apimentado e é o tempero é delicioso. O tajine tem esse nome por causa do nome do utensílio feito para preparar a carne, o tajine, feito em barro e em forma de sino.

Música – “Let Me Rai” (Cheb Mami, 2003)

Aqui os cds que estou baixando baseado no livro, um por cada país, começam a ficar mais interessantes.

Trata-se de uma música pop relativamente genérica, com acento árabe, mas com faixas bem legais.

“Yo yo”- *** – melodia mediana e meio enjoativa, mas uns sons de teclado artificiais estragam um pouco a música
“Haoulou”- ***** – grande música, melodia pegajosa que fica na cabeça por um bom tempo, forte sotaque árabe e arranjo de cordas no teclado bem interessante
“Let me cry” – ***** – reggae árabe bastante inspirado
“Douha Alia” – * –  balada insossa
“Fatma” – ** – pop mediano
“Rah Eddani”- *** – um pouco melhor
“Khalihoum” – *** – razoável
“Maandi” – ** – nada demais
“Manimane” – * – chatinha

Disco: *** (bom)

Imagens da Argélia


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Anguilla

País minúsculo, sobre o qual não há muito o que falar. Porém, fica no Caribe e tem praias belíssimas, então vai servir para aumentar a coleção de papéis de parede de seu computador. O país consiste em uma ilha de aproximadamente 100km² além de algumas outras ilhotas.

Capital: The Valley
Área: 102km²
População: 12.738
Densidade demográfica: 132 h / km²

Segundo “O Livro da Viagem”: “É pequena e pouco povoada, mas os ilhéus são amistosos e abertos. A ilha tem, também, algumas das melhores praias do Caribe. Seu interior é plano, seco e coberto por vegetação rasteira e esparsa, salpicado de salinas e desprovido de imagens impressionantes, mas é orlado de praias lindas e águas azuis cristalinas, assim como de pequenas ilhas próximas repletas de corais, que propiciam excelentes condições para nadar e praticar mergulho livre e autônomo.”

Realmente, 12.000 pessoas é a população de um bairro, ou de alguma pequena cidade. Seu interior não tem nada de muito interessante, mas as praias, seguem as imagens logo abaixo.

Olha a cor da areia e do mar!

Isso que é vida, hein?

Experiências essenciais
Dar a volta na ilha de scooter.

Comida
Caranguejo e lagosta.

Marcas registradas
Água calma e cristalina e praias de areia branca, maconha, mergulho livre.

Surpresas
Durante a rebelião de dois anos contra os britânicos não houve perdas humanas.

Geografia
O arquipélago se localiza no Caribe, especificamente no extremo norte das ilhas de Sotavento nas Antilhas Menores; compreende a habitada ilha de Anguila e as desabitadas ilhas Scrub, Dog e Sombrero; e alguns ilhéus próximos, também desabitados.
O terreno é em geral, rochoso e de pouca elevação. Não há rios, só algumas pequenas lagoas na ilha de Enguia. O clima é tropical com uma temperatura média de 27 °C.

Música

Jimmy Buffet & The Coral Reefer Band – “Live At Anguilla” (2007)

Link para download do disco

Não encontrei nenhuma música de algum artista de Anguilla, o que deve até ser difícil mesmo, pois a população do país é de mais ou menos 12.000 habitantes, mas encontrei um disco de um artista americano que é um show em Anguilla, aí o clima do país provavelmente deve transparecer nas músicas.

Não é nada memorável, mas é um som agradável e relaxante de se ouvir, um pop-rock mais ou menos como um Jack Johnson um pouco mais agitado e variado.

O disco começa com “Changes In Latitudes, Change In Attitudes”, cujo título é algo que acredito: mudança nas latitudes, mudança nas atitudes. Veja como o humor de alguém muda entre ficar em algum lugar frio como a Rússia, ou ir para o Caribe, por exemplo, as atitudes da pessoa irão mudar. A música parece ser um dos seus maiores hits, e uma das suas mais inspiradas músicas próprias.

Tem também uma ótima cover de “Vaniting Vain”, do Bob Marley.

Pensei que “When Salome Plays the Drums” fosse cover, mas parece que é música dele mesmo. Tem aquele instrumento caribenho que é percussivo, feito de metal, mas é melódico, chamado Steel Drum ou Steelpan. Teve uma vez no Parque do Ibirapuera que tinha um caribenho, bastante negro, que estava tocando esse instrumento, parecia que ele não sabia falar português, pois a única coisa que ele fazia era sorrir e tocar muitas melodias no instrumento.

Para mais informações sobre o steel drum (ou tambor de aço), consulte:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Tambor_de_a%C3%A7o

http://www.pieces-zine.com/200901steel/steel_instruments.html

Pitéu de Anguilla (ou alguma turista que estava passeando por lá)

Mais algumas fotos de brinde


Angola

Bandeira de Angola

Angola é um país destruído pela guerra civil, com muita fome, mas ainda assim, percebe-se em suas músicas, uma certa alegria e um povo sonhador, lembrando o Brasil nesse sentido.

A fome é algo muito triste neste país, na maioria dos parques nacionais não contém animais, pois foram comidos por pessoas famintas durante períodos de conflito recentes.

Surpreendentemente, a capital Luanda é a quarta cidade mais cara do mundo. Um conhecido meu disse que já trabalhou lá, e realmente é tudo muito caro, principalmente a carne, que é toda importada (se não me engano, ele disse que o quilo da carne é algo como 50 ou 100 dólares).

Outra coisa que ele contou é sobre a corrupção e desonestidade existente no país. As locadoras alugam carros que não têm documento, e a polícia sabe disso e aproveita para mandar as pessoas pararem para poderem pedir suborno para as pessoas. Esse meu amigo disse que uma vez não quis parar o carro, pois sabia que os policiais queriam dinheiro. Começou uma perseguição como as que se vêem nos filmes, e ele acabou tendo a sorte de ter conseguido entrar na embaixada brasileira, onde os policiais não poderiam entrar.

Luanda, capital de Angola

Música

“Soul of Angola Anthology (1965-1975)”

“Angola 70’s (1974-1978)”

O mais interessante nestas coletâneas são algumas faixas em português (apesar da maioria ser cantada em algum dialeto local), como “Chofer de Praça”, no primeiro disco. A entonação deles é bem diferente, não lembrando o português nem do Brasil nem de Portugal (lembra um pouco mais o Brasil que Portugal). Existem termos engraçados ou desconhecidos que não são utilizados por aqui. Segue no final a letra da música, onde o homem pede ao taxista que o leve para ver sua namorada, mas este se nega por ela morar no subúrbio além de estar chovendo.

Link para a música Chofer de Praça

Porém, musicalmente, parecem ser os “primos pobres” de Camarões, que tem a melhor música que eu já ouvi da África até agora, e da Nigéria, que tem o famoso Fela Kuti. A música de Angola não parece ser tão bem resolvida e nem tão bem gravada quanto a música desses outros países. Porém, ainda assim, é uma música bem agradável de se ouvir, e lembra uma mistura de soul, reggae, funk, para os ouvintes ocidentais padrão, além de características musicais tipicamente africanas. Apesar da primeira coletânea ter a “Chofer de Praça”, a segunda coletânea tem uma seleção melhor de músicas. Recomendado. Nota: 7

Mandei parar um carro de praça
Ansioso em ver meu amor
Chofer de praça então reclamou
Quando eu lhe disse que meu bem morava no subúrbio

Tempo chuvoso no subúrbio não vou
Pois sou chofer de praça e não barqueiro
Então implorei, peço senhor chofer, leve-me por favor
Ela não tem culpa de morar no subúrbio
E quanto à chuva é obra da natureza

Então chofer dominado por mim
Uma borracha puxou atravessando lagoa
Quando eu olhei pro relógio
E pedindo que colasse o aspirador ao tapete (?)

Então chofer trombudo respondeu
Se você quer ver seu amor,
Atravessa a lagoa a pé,
Não vou partir o meu popô,
Só porque você quer dar show

Filme

Acácio, Brasil, 2008

Tive o desprazer de assistir esse filme na Mostra de Cinema de São Paulo de 2008. O filme não é só chato, é a chatice levada até o extremo. É um documentário feito por uma estreante no cinema, e uma das impressões que o filme dá é que ela usou a maior parte do dinheiro que ela conseguiu para fazer o filme, para ficar viajando, para Portugal e Angola.

O documentário fala sobre o tal do Acácio, onde não fica muito clara a importância do personagem. Acácio é um português, já idoso, que acho que é antropólogo, ou algo do gênero, que passou os seus primeiros 30 anos de vida em Portugal, depois outros 30 em Angola, e depois disso veio para o Brasil.

Como seria mais óbvio, uma das coisas mais úteis que o filme poderia ter feito, era que Acácio viajasse para sua terra natal, ou para Angola rever seus amigos de tanto tempo de convivência. Porém, ao invés disso, o filme se limita em mostrar a cineasta viajando, por exemplo, para Angola, e Acácio falando por telefone ou vendo vídeos de seu melhor amigo em Angola. Não seria muito mais interessante mostrar os dois amigos se encontrando depois de tanto tempo?

Como neste filme a chatice não conhece limites, ela se propõe a mostrar cenas de arquivo ou cenas em que o Acácio está fazendo esculturas, sem trilha sonora, com o silêncio acompanhando. Acácio até pergunta: “não vai colocar nenhuma música?”; e ela responde que “o silêncio também é interessante”, ou algo do tipo. E como se não bastasse, por algum problema, a imagem estava com defeito, como se não tivesse sido feita para uma tela tão grande como a do Cinesesc; parecia câmera digital de baixa qualidade, horrível.

A única coisa que salva este filme do lixo completo são as cenas que ela faz em Angola, mostrando o país em reconstrução, um grande centro de lá, que lembra São Paulo; e o melhor, o tal melhor amigo de Acácio em Angola; uma pessoa muito simples e simpática, que parece ter o coração muito bom, notando-se apenas pelo seu jeito de falar, única parte do filme em que se nota alguma emoção. Nota: 1

O Livro da Viagem

“Devido às imensas dificuldades que o país enfrenta; a reação é o escapismo e a espiritualidade, tendo por veículo o amor. Os angolanos adoram ir à igreja e adoram romance. É o país que tem o mais alto índice de fertilidade do mundo.”

Livro: Os Cús de Judas, Lobo Antunes


É um livro cansativo, que é praticamente um exercício estilístico. O autor português relata um pouco de sua própria experiência na guerra angolana. Ele se usa de imagens fortes, para realçar o absurdo que é uma guerra, como os soldados sofrem, dizendo que tem que se masturbar às noites, esperando os inimigos em uma terra estranha, enquanto a sua amada está em sua querida terra natal. No começo o livro é muito interessante, mas aos poucos vai se percebendo que aquilo parece um exibicionismo virtuosístico. Não é um livro interessante para quem quer saber sobre Angola, pois é um livro muito introspectivo, o autor fala muito mais dos sentimentos do que a guerra ou sobre Angola em si. É um livro que demorei bastante para terminar de ler. Nota: 4

Turismo em Angola

http://www.eltangola.com/turismo/index.aspx?lang=P

Miss Angola

Mais sobre Luanda e Angola

http://arlequinal.com.br/2009/05/25/para-nao-ser-apenas-uma-mina-de-ouro/

http://umadoidanomundo.wordpress.com/2008/07/10/mumuilas-mulheres-de-huila/



Andorra

Bandeira de Andorra

Área: 468 km²
População: 69.150

Andorra é, para mim, praticamente uma incógnita. Nunca li nenhum livro, ouvi nenhuma música e nem vi nenhum filme sobre o país. Sei apenas que é um país bem pequeno, com apenas 468km², e que fica entre a Espanha e a França.

Tem um livro que parece ser bem interessante, que não tem tradução em português, que é sobre os mistérios dos sete menores países da Europa (Andorra, San Marino, Liechtenstein, Luxemburgo, Malta, Mônaco e Vaticano). Para alguém acostumado com um país gigantesco como o Brasil, estes países se tornam mais curiosos ainda.

Uma curiosidade é que a bandeira de Andorra é bastante parecida com a da Romênia, o que difere é o brasão central.

Segundo “O Livro da Viagem”, é um país com muitas montanhas ótimas para esqui, sua capital é um centro comercial caótico, a sua população tem menos de 70.000 pessoas, sua comida típica é trinxat (bacon, batatas e repolho).

A cidade de Andorra a Velha fica espremida no vale do rio Gran Valira, e dedica-se, sobretudo, à venda de eletrodomésticos e produtos de luxo.

A capital, "Andorra, a Velha", é um caótico centro comercial

Andorra é o único estado no Mundo em que a forma de governo é uma diarquia, além de ser a única monarquia constitucional em que o chefe de Estado, neste caso o co-príncipe francês, é eleito democraticamente por cidadãos

Caldea é um enorme complexo de piscinas, poços d’água quente e saunas, alimentado por fontes termais naturais, dentro do que parece ser uma catedral futurística.

Vista interna de Caldea

No livro, “Programa de Índio”, é relatado as furadas relativas a viagens. Andorra é citada como programa de índio. Viajar de tão longe para ir num país minúsculo, cuja capital parece uma 25 de março gigante, é citado como furada. Porém, isso é relativo e subjetivo, em grande parte depende do espírito e do humor da pessoa. Apesar de aparentemente não ser possível comparar turisticamente com Espanha e França, por exemplo; Andorra parece ser um país bastante interessante de se visitar, a começar pelo tamanho.

Albânia

Bandeira da Albânia

Capital: Tirana
Área: 28.748 km²
População: 3.582.205
Densidade: 124,6 hab/km²

Como em “O Livro da Viagem” traz sugestões de músicas para cada país, estou tentando fazer o download de ao menos um disco para cada país. Como os dois primeiros países foram Afeganistão e Albânia, dois países pobres, isso parecia se refletir nas músicas, relativamente tristes e sérias. Estava lendo que a Albânia é um dos países mais pobres da Europa, que passou mais ou menos cinqüenta anos sob o mando de um ditador, e que boa parte dos albaneses imigram para outros países em busca de emprego.

Tirana, capital da Albânia

Filme – “O Silêncio de Lorna”


E é sobre esses imigrantes que trata “O Silêncio de Lorna”. O filme conta a história de uma albanesa que se muda para a França para tentar um futuro melhor. Para isso, tem que fingir um casamento de fachada, com um francês viciado em heroína. É claro que eles não tem que viver como marido e mulher, mas tem que viver dentro da mesma casa, e ele é um viciado que precisa de ajuda. Ela não quer mais problemas, mas até por viverem na mesma casa, eles têm que ter um certo convívio.

Eu acho a bandeira da Albânia uma das mais bonitas do mundo, sendo quase toda em vermelho, com um brasão todo em preto de uma águia olhando para duas direções. Inclusive, aquela grife de moda Cavalera, do cara do Sepultura, copiou esta figura como marca. E eu achei muito interessante a metáfora que existe no filme, pois a albanesa está quase sempre vestida toda de vermelho, mesma cor da bandeira.

E ela está cercada por gente sem escrúpulos, os criminosos que conseguiram com que ela entrasse ilegalmente na França, agora querem matar o seu “marido” viciado francês, dizendo que ele teve uma overdose; e ela já sendo francesa, casaria com um russo que também quer se naturalizar francês; e o namorado da albanesa não vê nada que matem o francês, já que não passa de um viciado.

A única exceção em suas relações é o viciado, que ainda tem alguns escrúpulos e implora ajuda, e aos poucos os dois vão se aproximando, e ela quer tentar outra forma de resolver o problema sem ele ter que morrer.

A atriz principal tem uma beleza bem peculiar, clara, com cabelo preto, bem curtinho, e tem um papel difícil, mas se sai bem.

Assim, como outro filme que tem relação com o Leste Europeu, o “4 meses, 3 semanas e 2 dias”, existem personagens bastante cruéis e repugnantes, e essa crueldade parece ser um pouco uma característica daquela região, até por estarem muito ligados à União Soviética durante um período, e a Rússia talvez seja um dos países mais caracteristicamente cruéis do mundo, um pouco por causa do Stalin.

O filme é muito bom, forte e situações um pouco imprevisíveis. Nota: 9

Livro / Filme – “Abril Despedaçado”

O assunto principal deste livro são as vendetas, uma espécie de guerra e vingança entre famílias. Baseadas no Kanun, um código de leis muito rígido, que prevê quase todas as situações cotidianas, que é seguido em boa parte do norte da Albânia, região bastante montanhosa, a família tem que manter a honra, e mesmo que isso signifique matar e morrer.

O livro conta a história de uma família que tem uma vendeta que começou a muitos anos, por motivos que parecem irrisórios para já terem causado 44 mortes, 22 de cada lado. O personagem principal é chamado pelo pai, que diz que ele tem que vingar a morte de seu irmão; e aí ele mata um integrante da família rival, sabendo que existe uma trégua de um mês, a bessa, passado esse tempo, ele poderá ser morto a qualquer momento. A história trata justamente de toda a confusão mental que ele passará durante esse mês que ele ainda tem de vida.

O livro descreve várias paisagens como esta, do interior da Albânia, na região norte do país

O livro traz muitos detalhes curiosos e peculiares sobre o Kanun, como por exemplo, depois do vingador matar alguém da família inimiga, ele deve acompanhar todo o cortejo fúnebre e velório, e como se não bastasse, ainda tem que participar do almoço fúnebre na casa da família inimiga.

Um cineasta brasileiro, o Walter Salles, fez um filme com mesmo nome inspirado no livro, só que ambientado no nordeste brasileiro, onde também existe muita vingança entre as famílias. Porém, o Walter Salles é um cineasta muito conservador e limitado, com o filme ficando bem inferior ao livro.

Nota – livro: 8, filme: 4

Música – “Albania Old Recordings”

Como diz o nome, são gravações antigas, mas bem antigas mesmo, músicas tristes e monótonas. Nota: 5

Música – “Adelina Ismaili”

A bela Adelina Ismaili

Faz uma música pop bastante genérica, com acentos que lembram um pouco o Oriente Médio, porém uma das músicas é fantástica, “Une e Ti”, um poperô que lembra um pouco aquela música iugoslava que o Latino usou para fazer a versão de “Festa no Apê”, mas essa é ainda melhor, com uma melodia ótima e marcante. Nota: 6 pelo conjunto das músicas, 10 pela “Une e Ti”.

Link para a música

Comida

Fërgës (rico ensopado de carne) ou rosto me salcë kosi (carne assada com creme de leite)

Curiosidades

Os albaneses balançam a cabeça para os lados para dizer sim, e para cima e para baixo para dizer não.
O Kanun define também leis sobre o acolhimento de visitantes, por isso, os albaneses podem ser extremamente hospitaleiros e oferecer casa e comida de graça.

Região montanhosa da Albânia

Litoral da Albânia - Himarë

Miss Albânia - aí sim, hein?

Lezha

Mesquita Shokdra em um dia nublado na Albânia

Litoral à noite

Litoral da Albânia

Igreja Ortodoxa de Durres

Afeganistão

Mesquita Mazar-e Sharif

O Afeganistão é um país triste, atualmente. Pela guerra, pelos vários povos que já o dominaram, pela pobreza, pela violência do Talibã. É um país sem saída para o mar, com terreno bastante montanhoso. É o país com o PIB mais baixo do mundo. Apesar de ter regras islâmicas bastante rígidas, como a proibição de álcool e drogas, é um dos maiores exportadores de papoula do mundo. E tem bonitos e grandiosos palácios também.

“O Caçador de Pipas”

É de se admirar que “O Caçador de Pipas” tenha se tornado best-seller. Demorei a lê-lo, pois achava que tratava-se de uma historinha água com açúcar. Pra conseguir vender tanto… Porém, o livro é um dos livros mais barra-pesada que eu já li.

Mostra a desgraça sem maquiagem; não aquela que só ouvimos falar ou imaginamos, mostra a crueldade sem limites do Talibã, que promove assassinatos via apedrejamento, e apesar da rigidez moral absurda que eles pregam, justificada inclusive pelo islamismo, também cometem crimes de pedofilia, além de muita violência gratuita, e orgulho por ela.

O narrador da história foge no começo da guerra, quando o Talibã toma o poder; e tempos depois volta para Cabul, e vê uma cidade totalmente destruída, e pega pesado ao dizer que “pais se tornaram artigo raro no Afeganistão”, ao ver a grande quantidade de órfãos abandonados.

O narrador se mostra muito covarde pela sua falta de atitude em momentos cruciais com seu amigo, e a sua clara intenção é fazer o leitor ficar com raiva dele. Existem momentos de romance, com alguma poesia, mas esta poesia parece que vem sempre com muito pó e areia para ofuscá-la. E ele parece sugerir que um livro sobre o Afeganistão não pode ter um final totalmente feliz.

A cada momento você acha que a pior parte do livro já passou, mas a cada momento a desgraça só aumenta, e para o leitor conseguir chegar ao fim, ele realmente precisa ter estômago.

O livro é ótimo para mostrar a verdade no Afeganistão, e apesar das piadas sobre o Talibã, é muito pior do que se imagina; pois muitas pessoas podem “romantizar” o Afeganistão. Li uma matéria sobre turistas que para “colecionar” o maior número de países visitados, viajam inclusive para lugares muito perigosos, como o Afeganistão. Há alguns anos atrás, dois turistas mochileiros foram apedrejados até a morte no Afeganistão.

Depois de ler este livro, o que me vem à mente sobre o Afeganistão é um sabor amargo, poeira, e um soco no estômago.

Apesar de, e talvez pelo fato do livro ser tão barra-pesada assim, é um livro bastante incômodo. Nota: 6,5

Música

“Afghanistan – a Journey to an Unknown Musical World”

“Uzbek Music from Northern Afghanistan”

A música de lá traz muitas semelhanças com a música árabe, porém, em um tom demasiado sério e árido; não há muita variação de ritmo ou melodia, e quase tudo parece ser muito triste. À primeira vista não parece ser algo interessante, mas aos poucos você se acostuma com a aridez das músicas. É interessante perceber que há um pouco de estilo russo na música, pois o país fica entre o Oriente Médio e a Rússia. Nota: 6

Segundo “O Livro da Viagem”

A comida e bebida típica são de dar água na boca: qabli pulao (arroz temperado com carneiro, amêndoas, cenoura ralada e passas) e chá verde aromatizado com cardamomo (especiaria muito aromática e saborosa). E também diz que a “hospitalidade é estupenda e a generosidade, espontânea”; e que tem uma beleza bruta e natural. Uma pena que o país seja tão perigoso.

Sobre a série de Países – “O Livro da Viagem” (Lonely Planet)

Comprei o sensacional “O Livro da Viagem”, da Lonely Planet, ele é gigante, e traz fotos belíssimas de todos os países do mundo, no total de 230. Além de fotos, traz as experiências essenciais de cada país, comidas e bebidas típicas; livros, filmes e músicas do país; suas marcas registradas e suas surpresas, fatos inusitados sobre cada país. Uma das coisas mais interessantes do livro é que, além dos países virem em ordem alfabética, é o fato de, sem exceções, todos os países terem duas páginas; seja um gigante como o Brasil, ou minúsculo como Tuvalu, que tem 25km² e 12 mil habitantes. Inspirado por esse livro decidi comentar sobre algum aspecto ou obra relativa a um determinado país.

Para quem tem vontade de viajar pelo mundo, saber mais sobre os países e sua cultura, o livro é recomendadíssimo, excelente, uma obra-prima.

Espero que gostem.