O Ultraje

O Ultraje (“Autoreiji”, Japão, 2010, Takeshi Kitano)

Por causa da maratona de filmes que costumo fazer nos fins de semana quando está tendo a Mostra, quando assisti esse no sábado, que já era o quinto filme do dia, confesso que acabei cochilando em alguns trechos. Porém, me arrependi, porque o filme é sensacional. Ainda bem que havia outra sessão para o domingo, e assisti mais uma vez.
Já havia assistido dois filmes do Takeshi Kitano, e não haviam me conquistado, “Brother”, também sobre a máfia japonesa como “O Ultraje”, só que muito lento e com muito silêncio, que acabei achando chato. “Glória ao Cineasta” foi um dos filmes mais estranhos que eu já vi, mas não necessariamente bom, a idéia era boa, metalinguística, mostrando o bloqueio criativo dele como cineasta e tentando experimentar vários gêneros, terror, comédia, violência, e do meio pro fim descamba pra um dos negócios mais absurdos que eu já vi, mas como eu digo, não era exatamente bom.
Depois dessa experiência, o normal seria eu não me empolgar com mais um filme do Takeshi Kitano (que inclusive fiquei sabendo que é apresentador de auditório na televisão japonesa (!!!), e não sendo exatamente programas bons).
Pois então, o que me motivou foi o fato de que ele havia sido vaiado em Cannes, por causa de sua violência exagerada e excesso de sangue na tela. Pô, isso é um bom sinal!!!
Cannes não gostou, depois dele fazer filmes sensíveis, como “Dolls”, ou metalinguísticos como “Glória ao Cineasta” e “Aquiles e a Tartaruga”, ele havia voltado para um dos estilos em que ele já havia feito vários outros filmes: sobre gangsters.
Pois bem, o que “Brother” tinha de “sério” e “lento”, esse tem de escrachado, divertido e violento.
Possivelmente uma obra-prima (um pouco irreverente) sobre a máfia japonesa. Uma tomada aérea com todos os carros dos gangsters iguais e em fila. Um almoço muito chique em que gangsters que se tratam muito cordialmente e logo estarão se matando a torto e direito.
Uma das coisas mais engraçadas do mundo são japoneses discutindo quando estão bravos, e ele soube explorar muito bem isso. E um quer falar mais alto e sério que o outro. Impagável!
Outro ponto alto são as cenas de violência exagerada! Uma das melhores é uma em que eles vão se vingar de um gangster, e ele está no dentista; ele está deitado na cadeira esperando o dentista voltar, quando um deles chega e começa a arrebentar toda a parte de dentro da boca do cara com o motorzinho do dentista, é só sangue que voa! Dói na alma só de imaginar.
Outro gangster que eles precisam pegar trabalha num restaurante de sushi, eles vão até o cara e enfiam o hashi na orelha do cara. Mais sangue que jorra!
O próprio Takeshi Kitano faz um dos principais gangsters do filme, em uma cena ele arrebenta a cara de um gangster com um estilete!
E mais uma: eles pegam um cara num carro, vendam o cara, amarram o pescoço do cara com uma corda, um cara amarra a corda num poste, e fala pro outro: pode acelerar!
Tem uma hora que começa uma seqüência impressionante de matança! São tantas que você perde a conta! E ainda são todas estilizadas, em câmera lenta e tudo.
Sensacional! Obra-prima!
Praticamente um “Poderoso Chefão” japonês… Só que com muito mais humor!
Nota: Excelente

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