Abilio Farias

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Abilio Farias envereda pela vertente abolerada do brega, ao estilo do Genival Santos, não ficando nada a dever a este, com um baixo marcante, muito naipe de sopros e uma interpretação passional.

No quesito música de corno, “O Culpado” é campeã, além de corno, é manso; e além de manso, se sente culpado, os versos “eu sou culpado por ela ter me enganado” e “já perdoei o que ela fez fora de casa” dizem tudo, e colocam essa música no panteão dos clássicos do brega.

Ele é também uma espécie de economista do brega, já que em uma de suas mais músicas, “Mulher Difícil, Homem Gosta”, ele diz “essa é a lei, lei da procura e da oferta, onde a pessoa mais esperta, leva vantagem no amor”.

Em outra música, “O Genro Odiado”, ele faz uma divertida, porém trágica, crônica familiar, falando de um personagem presente em quase todas as famílias, a pessoa alcólatra desagradável, com uma letra em que ele faz uma auto-penitência que chega a ser engraçada: “desculpa mulher, resolvi mil desculpas pedir, as palhaçadas que eu promovia, quando bebia, não vais assistir”; “na família eu era o genro que ninguém gostava, viciado só me embriagava, satisfação não trazia a ninguém”.

Abílio Farias também faz a sua homenagem a uma personagem bastante recorrente nas músicas bregas: a cigana; e a de Abílio Farias é uma das mais inspiradas, com um ótimo falsete na hora de falar “ciga-a-na”, e dizendo que “para ter o seu amor, eu vou muito mais além, deixo de ser o que sou, cigana, pra ser cigana também”.

No brega romântico-religioso “Coração Indeciso”, ele apela a Cristo para pedir perdão e para decidir entre o amor de duas mulheres, que ainda tem um solo de trumpete em surdina impagável, que lembra alguém dando risada; o seu exagero se faz presente, dizendo “Cristo, que foste na Terra um mártir, sob império de Pilatos, foste pregado na cruz, quero ouvir de ti um conselho”, “julga-me, julga-me como quiseres, eu amando duas mulheres”, “uma, tem graça, luxo e beleza, produto da natureza, coisa que a outra não tem; e a outra, é despida de encantos, mas mesmo assim gosto tanto”, “meu bom Jesus, com o coração indeciso, não sei de qual eu preciso, para fazer-me feliz”. É bem engraçado que tem horas que ele faz um esforço danado para puxar a voz, para transmitir mais emoção.

Assim como Genival Santos, apesar do seu ponto forte serem os boleros passionais, em alguns momentos deixa a tristeza de lado, para fazer alguns forrós e carimbós animados, como “O Rabo do Jumento” e “Fofoqueira, Encrenqueira” (e ainda fala “ataca Pachequinho”. Maestro Pachequinho é um gênio dos arranjos dos bregas dos anos 70 e produziu nomes importantíssimos como Genival Santos e Bartô Galeno)

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