Amado Batista

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Amado Batista, apesar de fazer parte da vertente de baladas do brega, não faz como a maioria dos cantores dos anos 70, como Bartô Galeno e Odair José, que tiveram muita influência de Roberto Carlos. Amado Batista, pelo contrário, criou um estilo próprio dentro da vertente de baladas do brega, tendo alguns artistas que foram influenciados pelo seu estilo, como Cristiano Neves, por exemplo. Uma diferença entre os dois estilos é que o estilo de cantores como Bartô Galeno é bem mais passional do que o de Amado Batista, mais pop, o que talvez explique a maior aceitação do Amado Batista, pois muitas pessoas reclamam do fato das músicas de cantores como Bartô Galeno serem muito tristes. Diziam que o Amado Batista era quem vendia mais discos no Brasil, vendendo até mais do que Roberto Carlos, o que pode até ser verdade, mas tente achar algum nordestino que não tenha ao menos um disco do Amado Batista em casa, é uma tarefa difícil.

Amado Batista criou verdadeiros clássicos do brega, que estão entre as músicas mais conhecidas do estilo, que quase todo mundo conhece e que sabe cantar pelo menos o refrão. Criou alguns dos solos mais emblemáticos do estilo, o solo de “Meu Ex-Amor” corresponde ao “Come as you Are” do brega, com um solo muito simples, feito nas notas graves da guitarra, imediatamente reconhecível, e que leva a maior parte do pessoal se manifestar de prontidão, e ainda tem aqueles casos raros que as pessoas cantam o solo, como em “Secretária”, só lembro de algo parecido no show do Deep Purple, em que o público canta o solo da “Black Night”. Ele faz pequenas pérolas do pop no brega que faz, com músicas muito simples, em que o supérfluo é cuidadosamente cortado, ficando somente o essencial. Além disso, muitas tem um parentesco próximo com o rock e o punk no que diz respeito aos três acordes presentes na maioria delas.

Entre os seus maiores clássicos estão “Princesa” (“ao te ver pela primeira vez, eu tremi todo”, “princesa, a deusa da minha poesia, ternura da minha alegria, nos meus sonhos quero te ver, princesa, a musa dos meus pensamentos, enfrento a chuva e o mau tempo pra poder um pouco te ver”), “Serenata” (“a lua descia do céu, eu cantando você acordava, com os olhos cheios de amor, abria a janela e me beijava, depois de te dar uma flor, quase chorando eu ia embora”) e “Seresteiro das Noites” (“fui seresteiro das noites, cantei vendo o alvorecer, molhado com os pingos da chuva, com flores pra te oferecer”), em que um romantismo nostálgico dá o tom.

Mas o mais estranho é que, talvez o que seja o seu maior clássico, seja algo extremamente triste e mórbido, falando de hospital, de sala de cirurgia e de um parto trágico, em que a mulher e o filho morrem na mesa de operação, a música se chama “Amor Perfeito (O Fruto do Nosso Amor)”, apesar do pessoal conhecê-la por “No hospital, na sala de cirurgia”. E igualmente estranho é que, apesar da música falar destes temas, ela é extremamente contida e minimalista, beirando a indiferença e a falta de emoção. Talvez esse contraste fez a música ser mais palatável, pois é difícil imaginar que quase todo mundo saiba a letra de uma música que tem versos como “Nosso Senhor para sempre te levou, nem ao menos me deixou, o fruto do nosso amor, aquele filho seria nossa alegria, eu senti naquele dia, ser um pai, ser um senhor”, e o refrão, sem dúvida nenhuma um dos mais conhecidos do brega também não fica atrás: “no hospital, na sala de cirurgia, pela vidraça eu via, você sofrendo a sorrir, vi seu sorriso aos poucos se desfazendo, então vi você morrendo, sem poder me despedir”. Ele parece nutrir uma atração por temas pesados como este, já que em uma outra música, “O Acidente”, que tem um ritmo e melodia até que animados, ele fala da mulher que morre em um “acidente, tão de repente, acaba tudo, o amor que se tem”.

Ele tem muitas outras ótimas músicas muito românticas, nem tão conhecidas, como “O Ônibus”, que tem um refrão que pode levar às lágrimas por descrever com perfeição a dor da saudade de amar alguém que mora distante ou que vai para longe, falando da tristeza em saber que ela vai embora: “hoje eu vou ficar muito magoado, por uma coisinha linda, ela vai partir pra longe daqui, na tarde que finda”, depois falando da hora da despedida: “ao nos despedir, com um forte abraço e um beijinho de adeus, vou esconder meu rosto, pra não ver seus olhos, fitando os meus”, e aí vem a tristeza consumada, o ônibus já sumiu e ficaram só as lembranças: “quando o ônibus, sumir na estrada, lágrimas vão rolar dos olhos seus, e olhando a paisagem, em mim vai pensando, gotinhas molhando o rostinho seu”. Além dessa tem também a que ele fala “ela arrancou um pedaço de mim, e foi meu coração”.

Tentando se manter atualizado, sempre busca fazer canções relacionadas aos assuntos do momento e novidades, como em “Secretária”, em que fala do medo de ser confundido com um assédio sexual, “Amado@.com”, em que apesar da grafia errada, ele fala de internet. Como um amigo reparou, “Vidas na Contramão” é quase que um “Eduardo e Mônica” do brega, mostrando as diferenças dos dois em um par romântico: “gosto de música lenta, ela só curte rock, não usa vestido, só usa short”, “se eu me encontro em casa ela deita e rola, ela só toma whisky, eu coca-cola”.

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