Azulão

Link para o download do disco

Uma das melhores coisas do Ratinho ter alcançado o sucesso que alcançou foi que uma gravadora grande teve a coragem de lançar um disco inteirocom músicas cantadas por um artista como Azulão. Sorte nossa, que tivemos o privilégio de ter um disco com oito músicas do Azulão, uma melhor que a outra! O que é a letra da “Casa Redonda”? (veja mais abaixo). Mas que o disco encalhou feio, encalhou (o meu eu comprei por 2 reais). Eu imagino que as pessoas já não aguentavam ele repetir todo dia aquele refrão repetitivo “solta o azulão, solta o azulão, solta o azulão, PAIXÃO, solta o azulão”.

Quando o Azulão cantava essa música no Ratinho, dava pra ver, que apesar dele ter aquele vozeirão típico dos cantores negros, ele tinha um ritmo todo duro, pra cantar e pra dançar, ficando muito engraçado. Uma das coisas mais impagáveis foi um dia que passou o clipe que fizeram pra música, ele repetindo aquele refrão a música inteira, no estúdio, na banheira com uma gostosa, voando (com umas asas azuis, num efeito muito tosco). A letra tem uma variaçãozinha, que muita gente nem conhece, e tem um certo duplo sentido: “tanto tempo engaiolado, ele até perdeu o jeitão, quando avista sua amante, volta logo pra prisão” (volta o refrão)

Mas o seu disco veio pra provar que o Azulão não é só isso, não é um artista de uma música só, e nos brindou com uma música que tem uma letra psicodélica da melhor estirpe: “Casa Redonda”. A letra é de uma claustrofobia angustiante, além de também poder causar uma sensação de vertigem, por tanto rodar: “eu entrei numa casa redonda / e comecei a rodar / eu rodava, rodava, rodava / e não saía do mesmo lugar”. Dizem que o chá de santo daime às vezes causa a alucinação de imaginar que se está numa casa redonda; e no encarte diz que foi o próprio Azulão que compôs essa pérola… A dúvida que fica é: será que o Azulão já tomou Santo Daime? Mas a psicodelia não pára por aí, porque ele diz que quando estava perdido e desesperado ele começou a ouvir uma voz: “garoto, eu vim te salvar”. Pra não perder o costume, o refrão circular, literalmente, é repetido insistentemente: “eu entrei numa casa redonda, e comecei a roda, eu rodava, rodava, rodava, e não saía do mesmo lugar”. Pô, deve ser muito legal estar numa casa redonda.🙂

“A Pulga (Pata Pata)”, é a versão brasileira infantil de uma música de uma cantora que eu acho que é africana, até que bem conhecida: “tá com pullllga na cueca (ele canta prolongando os éles), já vi vou catar”.

“A Dança do Azulão” é tão genial que estávamos com planos de colocar essa música de playback num show e ficarmos só dançando. Para as pessoas que não sabem dançar (como nós), e ficam frustradas, essa é a salvação, pois é uma das danças mais simples que podem existir (até mesmo porque o Azulão é todo duro ao dançar). Veja como é fácil: “vamos a dançar / a dança do azulão / um passo pra frente / um passo pra trás / levantar as mãos / vamos a dançar”. Essa é a letra inteira da música. Repare como ele castiga o português: “vamos a dançar”.

“Me Ajude Gente” dá uma idéia de como deve ter sido difícil para o produtor conseguir gravar este disco, tendo em vista as limitações do Azulão, tanto ritmicamente, quanto melodicamente e na pronúncia, mas que são compensadas por todo seu carisma. A música começa com ele tentando umas duas vezes, aí o Azulão fala: “Errei”. Aí o produtor fala: “Ê Azulão. Vamos lá, mais uma vez”, aí a música vai. A música é um pagodão.

A manjada “Macarena” também aparece aqui, mas numa versão que tem o que nenhuma outra tem: o carisma e o jeito de cantar de Azulão. Não sei se na original tem essa parte da letra, em que ele canta: “Macarena, é uma dança diferente, que remexe e alucina toda gente, tem um toque tropical, tem magia sensual”, com ele falando um éle sutil, que vai sumindo, impagável. Impagáveis também são as risadas indefectíveis dele, todas meio fora de tempo, e imprevisíveis em que momento vão aparecer.

“Clarinha” é uma bela homenagem à sua filha. “Ê Clarinha, ê Clarinha. Ê criança. Seu nome é Clara, mas nós tratamos de Clarinha, quando eu chego em casa, bem à tardezinha, ela vem correndo, vem da sala pra cozinha”.

“Parabéns do Azulão” fecha com chave de ouro essa obra-prima. “Parabéns pra você, por comprar meu cd”.

Depois ainda tem algumas versões pra playback, se você quiser treinar pra cantar igual ao Azulão.

Uma lenda, um mito, o Azulão desapareceu misteriosamente da televisão, sem dar mais notícias. O Ratinho nunca mais falou dele. Ouvi gente dizer que morreu, tomara que não. Talvez tenham confundido com um outro Azulão, nordestino, que toca forró. Pelo menos temos o privilégio de ouvir este cd. Porque é quase certeza que não vai ter um segundo.

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