Maurício Reis – caminhões, dançarina e música sobre suicídio

A maioria das músicas de Maurício Reis são bregas abolerados e algumas baladas, em que se destacam sua voz forte e interpretação dramática. A temática de suas músicas passa pelo romantismo, caminhões, dançarinas, e até uma letra sobre suicídio. O instrumental, apesar de ser bom, não tem aquela sonoridade dos bregas dos anos 70, puxando um pouco mais para anos 80.

O maior sucesso de Maurício Reis tem o ótimo nome de Mercedão Vermelho. Esse mercedão que a música fala é seu caminhão. “Mercedão Vermelho, tú és minha casa, tú és meu hotel, tú és meu espelho”. Fala sobre a vida dos caminhonheiros, lembrando um episódio do Carga Pesada (lembrei de meu amigo Roger que diz que aguarda ansiosamente toda sexta-feira pra assistir o seriado): “a vida de um caminhoneiro, no Brasil inteiro, é viver a rodar, rodando na Rio-Bahia, na churrascaria, eu penso no Pará, num posto de gasolina, uma linda menina, quis me conquista, lhe convidei para o meu caminhão, pra ver meu coração, junto ao seu badalar”.

“Verônica” é um boleraço, que Maurício Reis canta com sua voz forte e passional. É uma das músicas mais conhecidas do disco. A letra é normal, não tem nada de mais.

Agora “Lenço Manchado” tem uma das histórias mais tristes que eu já vi e tem toda uma história. “Eu já não sei o caminho que devo seguir, seguir. Ela jogou a minha aliança pra depois partir, partir” (Ele repete a última palavra para aumentar a carga dramática) “O lenço branco acenava dizendo pra mim, pra mim / o sonho desfeito, pois sinto no meu peito a dor do meu fim”. É interessante como o “fim” é um tema recorrente nas músicas dos cantores bregas. Como nas tragédias gregas, se queixam de seu destino para Deus: “se existe a felicidade, justiça e amor, amor / porque então Deus me deu um destino de dor, de dor”. E aí, vem um dos trechos mais tristes da música, além dela ter o abandonado, acontece um acidente fatal: “a poucas horas a notícia me deu, me deu / quem eu tanto amava, e me desprezava / na estrada morreu”. Então, o drama aumenta: “pois no local confirmei a notícia que deu-me alguém / nessa estrada maldita foi-se a vida do meu bem / todos estavam com vida, somente meu bem morreu”. E então ele fala sobre morrer, algo muito comum nos bregas: “em desespero eu grito, eu quero morrer meu Deus”. E a conclusão e o porquê do nome da música: “o lenço que acenava manchado ficou, ficou / cobrindo seu rosto, meu grande desgosto, perdi meu amor”.

“Chorar por Amor” eu já tinha ouvido com Sandro Becker, em uma versão melhor que essa.

“A Casa do Sol Nascente” é a versão que o Agnaldo Timóteo fez de “House of the Rising Sun” dos Animals.

“Quem sabe sou eu” fala que às vezes podemos somente aparentar que estamos felizes. Um refrão forte, contundente, junto com um lindo solo no violão, diz: “do meu sofrimento, quem sabe sou eu / da minha amargura, quem sabe sou eu / da minha solidão e da minha dor / quem sabe sou eu”. Uma das melhores músicas do disco.

O refrão da “Aprenda coração” é um dos melhores e exagerados que já ouvi, cantado com uma voz forte, ele diz: “bate coração / pode quebrar minha costela / bate coração / me mate de amor por ela”.

“Locutor”, “Beijo Gelado” e “Onde Está Você” são boas, mas não tem nada de muito especial.

“Preciso Lhe Encontrar” tem um ritmo e um solo de saxofone muito estranhos, que é até difícil de explicar.

“A Partida”, canção suicida explícita, (acho que até no rock é muito difícil encontrar uma música tão explícita sobre o assunto) é um dos pontos altos do disco: “já fiz de tudo / tentei até o suicídio / cortando os meus pulsos / pra chamar sua atenção”, e tem uma rima que é impagável: “fui socorrido por um amigo meu / mas nem no hospital ela apareceu”

“Alguém Me Disse”, começa com um solo de saxofone à lá Dire Straits e Kenny G e é uma linda canção de brega de corno, tanto na letra como na melodia. “Alguém me disse / que tu andas novamente / de novo amor, nova paixão / toda contente”. A mulher retratada é bastante leviana, vai de um amor a outro despreocupadamente: “pouco me importa / que te vejam tantas vezes / e que tu mudes de paixão / todos os meses”. Fica imaginando: “se vais beijar como eu pensei / fazer sonhar como eu sonhei”

“Prece por um pecador” começa com sinos de igreja e bateria de marcha, depois entra uma balada em que ele pede perdão para Deus por ter maltratado e feito sofrer a mulher que ele amava, e pede para ela voltar, mesmo que ele esteja errado. Com o regresso dela, ele promete voltar. Ótima música.

“Estrada da Vida” é aquele clássico inegável que diz: “nesta longa estrada da vida, estou correndo e não posso parar, na esperança de ser campeão, alcançando o primeiro lugar”. Nunca vou esquecer numa gravação que fizemos com a nossa banda, o João cantando gritado esse trecho da música.

Uma das melhores faixas é um pout-pourri que começa com “Professora” que tem um refrão apoteótico que diz: “Professora, eu amo você / professora, nem sei como lhe dizer”; depois vem “Perdão Senhor”, que mostra o drama e a culpa de se estar apaixonado por uma mulher casada; e “Dançarina”, tão boa, que merecia ser uma faixa à parte: “dançarina, me dá o prazer de dançar comigo esta canção, vim aqui me distrair e prometo não sair sem furar o seu cartão”.

A sua coletânea “20 Super Sucessos” tem alguns clássicos como “Mercedão Vermelho”, “Verônica” e “Dançarina”; ótimas músicas como “Quem Sabe sou Eu” e “Aprenda Coração”; a impagável música sobre suícidio “A Partida”; embora tenha algumas músicas menos inspiradas e versões mais fracas de músicas de outros cantores. A sua interpretação e sua voz forte se destacam também. Nota: 8

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