Almir Rogério

O brega também tem os artistas de um sucesso só, e um desses é Almir Rogério. Só que no seu caso, seu único hit, “Fuscão Preto”, é com certeza um dos maiores clássicos do brega, e um daqueles casos em que a música supera o artista, como o caso da música “Aquarela” e Toquinho, em que todos conhecem a música mas nem todos conhecem o artista.

Fuscão Preto
A música é um dos mais perfeitos retratos de corno já feitos, a desconfiança começa nos boatos que começam a surgir:

me disseram que ela foi vista com outro

quando surge o protagonista da música, um carro:

num fuscão preto pela cidade a rodar

a descrição da mulher, uma das melhores já feitas sobre uma mulher vulgar, faz aumentar o ciúme do sujeito:

bem vestida igual à dama da noite
cheirando álcool e fumando sem parar

no desespero, ele pede a Deus para que tudo isso não passe de um boato

meu Deus do céu, diga que isso é mentira

porém, se for verdade, quer saber logo da traição

se for verdade, esclareça por favor

aí então vem o momento derradeiro, o da visão de sua mulher com o outro

daí pouco eu mesmo vi o fuscão
e os dois juntos se desmanchando de amor

e o refrão é um dos mais fortes e emblemáticos já feitos na música brega, cantado a plenos pulmões, onde você imagina a figura imponente de tal carro

fuscão preto, você é feito de aço
fez o meu peito em pedaços
e também aprendeu matar
fuscão preto, com o seu ronco maldito
meu castelo tão bonito,
você fez desmoronar

“Fuscão Preto” fez tanto sucesso que virou até filme, sendo que, curiosamente, a Xuxa é atriz protagonista, e na capa do vídeo tem o Almir Rogério a abraçando, vale a pena procurar. E além disso, o Almir Rogério disse numa entrevista que a Volkswagen deu até um prêmio a ele pela enorme propaganda feita ao seu veículo.
A música foi regravada, entre outros artistas, pelo Falcão que fez uma versão hilária traduzindo para o inglês ao pé da letra.

Motoqueiro
Essa alcançou um relativo sucesso, porém muito menor que o “Fuscão Preto”. Esta também fala sobre dor de corno, mas é interessante notar que o “Fuscão Preto” é citado também nessa música, e passa de inimigo a amigo:

Motoqueiro
Que destino traiçoeiro
Destruiu meu coração
Pois trocou o meu fuscão
Pelo amor de um motoqueiro

A respeito de músicas sobre carros, ver também “Carro Hotel”, do Bartô Galeno.

Agnaldo Timoteo

Agnaldo Timóteo pode ser uma figura bastante controversa e polêmica, deputado (e ainda mais, do partido do Maluf), ser chamado de arrogante por muitas pessoas, mas ninguém pode negar que ele é um ótimo cantor e intérprete, e que seu repertório é muito bom.

Sua versão de “Tudo passa, tudo passará” de Nelson Ned, que exige bastante voz, é excelente.
Fala-se muito sobre a sua homossexualidade, mas no livro “Eu não sou cachorro, não”, de Paulo Cesar Araújo, isso é contado em detalhes e mostra como isso influenciou sua obra. Conta até que ele morava com um homem. Este livro, essencial, contesta o mito de que os artistas bregas eram alienados politicamente. Agnaldo Timóteo comprova isto, fazendo músicas falando de sua opção sexual em plena ditadura militar. Na maioria das vezes, Agnaldo Timóteo era apenas intérprete, compondo ocasionalmente, porém ele fez uma trilogia de discos em que compôs a faixa título, e os três falavam de temas gays. O primeiro, “Galeria do Amor”, fala de suas andanças pela Galeria Alaska no Rio de Janeiro, ponto de encontro de homossexuais; depois vem “Perdido na Noite”, se aprofunda no tema de sair pela noite em busca de aventuras amorosas; e, para encerrar a trilogia, “Eu Pecador”, fala sobre seu sentimento de culpa, por sua opção sexual ser conflitante com o que sua religião diz.

Um de seus maiores sucessos é uma música de autoria de Roberto Carlos, “Meu Grito”:

Ai que vontade de gritar
Seu nome bem alto e ao infinito
Dizer que seu amor é grande
Bem maior que o meu próprio grito
Mas só falo bem baixinho
E não conto pra ninguém
Pra ninguém saber seu nome
Eu grito só meu bem.

Regravou versões de grandes músicas internacionais, como “Casa de Irene” e “Casa do Sol Nascente”.

Fez uma participação na Casa dos Artistas, uma das cenas mais hilárias foi ele gordão, deitado no sofá, camisa florida e sunga. A sua fã (de araque) na Casa dos Artistas era uma menina bonita e jovem que não conhecia nenhuma de suas músicas e gostava de pagode. Atualmente é deputado no partido do Maluf.
Algumas curiosidades: outro dia, vi ele na rodoviária do Rio de Janeiro, dizem que ele tem medo de andar de avião, e uma amiga disse que do seu apartamento já viu ele vestido com um robe cor-de-rosa na sacada de seu apartamento.

Antônio Marcos

Intérprete intenso, visceral, com uma ótima voz, letras profundas, poéticas e até apocalípticas. Dizem que sempre aparecia bêbado nos programas de TV, e parece que foi o álcool que o vitimou. Muitas músicas melancólicas e com arranjos ótimos, tem músicas em que é difícil não se emocionar.

“Oração de um Jovem Triste” – Lembra bastante King Crimson, a primeira vez que ouvi esta música, voltei umas cinco vezes nela. A música começa com um órgão bastante sombrio, e vai entrando a bateria e o baixo. A letra é religiosa e melancólica, “sempre tive tudo que quis, mas te confesso, não sou feliz”. Baixo e bateria criativos e com timbres ótimos, ótimas viradas; tem um som que parece ser mellotron, tem um timbre ótimo, mas de uns tempos pra cá quase não foi mais usado, muitíssimo melhor do que o strings do teclado. Guitarra dissonante e distorcida quando ele canta: “calça apertada, de cinturão, toco guitarra, faço canção”. Assim como “Homem de Nazaré” esta música também fala de Jesus Cristo. “Cabelos longos, iguais aos meus, tu és o Cristo, filho de Deus”.

“Gaivotas” é uma das melhores músicas. Tem um instrumental mais ameno, violões, barulhos de mar, de barco e de gaivotas, a letra é uma linda poesia, com muitas metáforas sutis. A música lembra o balanço de um barco em um mar calmo. “Meu corpo balança sobre as águas, e o olhar se afoga em meu pranto, é que eu bem distante lá da terra, não compreendo gente que maltrata e erra”. Depois ele canta com uma calma melancolia “tantas mágoas, tantas frustrações, eu vou deixar neste mar, quando anoitecer”. A letra pode falar tanto de um passeio de barco, como pode ser uma metáfora sobre a vida. Tem um trecho que lembra o meu primo Eduardo, que era alguém que tinha muitos problemas, tinha várias tristezas interiores, mas sempre procurava animar as pessoas que estavam ao seu redor, principalmente da família, quase impossível não me emocionar quando eu o ouço: “e lá em casa, ninguém vai saber, quando eu chegar, vou sorrir, e adormecer”. Ele vê uma gaivota, e fica pensando se ela sabe “que o amor se perde por dinheiro, e o homem se destrói no mundo inteiro”. Fico pensando nas pessoas que mesmo com tristezas e problemas, procuram sempre trazer alegria para as pessoas. E de como estas pessoas sensíveis devem sofrer com esta brutalidade e frieza do mundo.

“Por que choras a tarde” é uma bonita música romântica, que tem um dedilhado que lembra o dedilhado da música “Quero ter você perto do mim” do disco de 1969 do Roberto Carlos (uma das músicas do Roberto que eu mais gosto)

“Homem de Nazaré” praticamente todo mundo conhece, mas não confundir com a ridícula versão que o Chitãozinho e Xororó fizeram. Esta tem um arranjo suntuoso, típico dos anos 70, onde se destaca o som grave e lento da bateria marcando, e o início em que ele fala, imponentemente “Mil, novecentos e setenta e três”. Um dos melhores trechos da música é quando fica só bateria e voz.

“Menina de Trança” é uma música que não me chama muito a atenção, mas tem uma bonita melodia e umas percussões muito bem colocadas.

“Sonhos de um palhaço” tem um baixo impressionante, escute e comprove. A letra diz “e tem gente que diz que no circo o palhaço é apenas o ladrão do coração de uma mulher”. Esta música tem umas pequenas afetações na voz, que lembram um pouco o Elymar Santos, mas nada muito compremetedor.

“Volte Amor” faz plágio de alguma melodia que eu não consigo dizer qual é, mas consegue um feito raro, consegue colocar aquelas recitações sem ficar ruim, e melhor, é uma garota que faz a recitação, com uma voz deliciosa. “Meu mundo aqui se resume na lembrança dos dias felizes de nosso amor. A rosa que você me deu eu ainda guardo, mas deve ter murchado entre as páginas de um livro que eu não consigo mais ler”. Esta música é uma daquelas interpretações “paranormais”, como diz meu amigo Hugo, ele implora desesperado: “será que não entende? o mundo segue em frente, o tempo não esperará, volte amor”. E tem uma batida forte na bateria. Muito boa!

“Se eu pudesse conversar com Deus” é outra boa música religiosa do Antônio Marcos.

“Boneca cobiçada” é versão de uma música da velha guarda. Esta música não me chamou muito a atenção. Mas o legal é que eu lembro que o Seu Correia chamava a vocalista de uma banda que eu tive, a Jane, de “Boneca Cobiçada”, nome ótimo de música.

“Como vai Você” é uma das mais conhecidas e regravadas músicas do Antônio Marcos. As regravações que eu ouvi ficaram muito boas: Roberto Carlos (previsível, quase o mesmo estilo), Nelson Gonçalves (um espetáculo! Ficou ótima com aquele vozeirão, e num ritmo um pouco mais lento), Daniela Mercury (surpreendentemente ficou boa, só voz e violão). Uma das mais bonitas músicas de amor que eu já ouvi. “Vem, que a sede de te amar me faz melhor, eu quero amanhecer ao seu redor, vem que o tempo pode afastar nós dois, não deixe tanta vida pra depois, eu só preciso saber…. como vai… você!!!”

“Quem Dá Mais” tem uma das letras mais psicodélicas. Já começa com ele dizendo “eu preciso me ver em 1996”. Por que exatamente 1996? E é estranho para nós, porque 1996 já passou faz tempo. E a viagem não pára por aí, depois melhora, ele diz “outro dia sonhei que estava numa arena gigante, era eu o mais raro objeto vendido em leilão”, aí cria um crescendo ótimo, em que ele vai dizendo: “e eu olhava tudo calado, e eu ouvia os preços gritados” até o refrão, dos mais lindos, puros e emocionantes que eu já vi, algo que eu admiro nele é a coragem de cantar coisas simples, mas não menos belas e profundas: “quem dá mais por um cara que ousou acreditar nos seus, quem dá mais por um homem que insiste na palavra Deus, quem dá mais por um louco que discorda do computador, quem dá mais por um velho ultrapassado que ainda crê no amor”

“Você pediu e eu já vou daqui” é uma ótima música romântica bem triste, o melhor trecho é quando ele diz: “o meu perdão eu vou saber lhe dar, e jamais direi que um dia você conseguiu me magoar”, e o instrumental fica bem dramático nessa hora. “Se você quer eu vou embora, mas sei que não demora, você é criança e vai chorar”

“Vamos dar as mãos” ficou mal vista pelo fato do refrão ser banal, de certo ponto de vista. Mas ouvindo a música inteira, é uma música existencialista e apocalíptica, e uma das mais lindas mensagens pedindo a união das pessoas. Começa com um som de guitarra forte e agudo, e com ele cantando imagens fortes sobre o fim dos tempos: “antes do pano cair, antes que as luzes se apaguem, todas as portas se fechem, todas as vozes se calem, todos os olhos chorarem, antes que o dia anoiteça, e nunca mais amanheça, antes que a vida na Terra desapareça, vamos dar as mãos, e vamos juntos cantar”. Um dos melhores momentos é quando fica só uma batida forte de bateria e a voz cantando o refrão. Temos que nos unir e fazermos o bem uns aos outros, “antes que seja tarde”.

A última música que está sem nome aqui, tem arranjos ótimos de guitarra, naipe de sopros, quarteto de cordas e coral, fortes, precisos e vigorosos.

Bartô Galeno

Link para o download do disco 20 Sucessos

Na minha opinião, o melhor cantor do brega! Existem vários outros bons cantores de brega, mas poucos são tão passionais quanto Bartô Galeno. Conheci a música de Bartô Galeno em um dos momentos mais difíceis da minha vida: o término de um namoro de três anos e meio. Foi uma combinação perigosa, pois a música de Bartô Galeno é uma das mais passionais de todo o brega; e a noite foi longa, não conseguia dormir lembrando trechos das músicas: “o que foi que fizeram com ela, que ela chorou?” (Sorriso de Moça), “e eu sei que não vou ser feliz nunca mais” (Só Lembranças), “quando agora for passado, vou lembrar que fui coitado” (Sorriso Forçado).
Porém, hoje em dia, ouço-as sem o sofrimento de outrora, mas claro que quase sempre com uma vontade de beber. São músicas lindíssimas, apesar de algumas serem bastante tristes. Bartô Galeno é uma epítome do brega, o meu cantor preferido de brega, com ótimas músicas e arranjos somadas a uma excelente voz e uma interpretação passional.
A sua temática é quase sempre a dor de corno, e musicalmente está na vertente das baladas românticas.
Por causa de seu acentuadíssimo tom passional, não é de fácil assimilação por todos que gostem de músicas românticas, como é o caso do Amado Batista, mais pop, e por isso mais aceito.
Interessante que a sua música, além de toda a deprê associada, também causa uma espécie de torpor.
Em um boteco aqui perto de casa, o Boteco do Toninho, foi onde aprendi muito sobre o brega, e o dono além de ter muitos vinis do Bartô, também teve a oportunidade e a honra de abrir um show do mestre.

O clássico: No toca-fitas do meu carro

Antes de eu comprar, fazia um tempo que eu havia ouvido uma frase do refrão de sua música mais famosa numa propaganda daquelas coletâneas de músicas dos anos 70, e ficava repetindo e irritando as pessoas mais próximas, por só saber aquela frase, mas que eu sabia, era um dos maiores clássicos do brega: “No toca-fitas do meu carro”. Eu fiquei impressionado: que nome de música genial!
Na primeira estrofe já aparecem algumas imagens que nos levam direto aos anos 70: um carro, que provavelmente deve ser algo como um corcel, um toca-fitas, o cigarro:

No toca-fitas do meu carro,
Uma canção me faz lembrar você,
Acendo mais um cigarro,
E procuro lhe esquecer

A dor aumenta quando ele constata que o banco do passageiro está vazio, e essa ausência só faz seu amor aumentar:

Do meu lado está vazio
Você tanta falta me faz
E cada dia que passa
Eu te amo muito mais

Até aqui, é uma música romântica tradicional, somente com algumas imagens peculiares a distinguindo. Porém, é a próxima estrofe que caracteriza um brega autêntico, onde o cantor não se contenta em lembrar da pessoa amada, ele quer saber é de sofrer pra valer, colocar o dedo bem fundo na ferida:

Encontrei no porta-luvas,
Um lencinho que você esqueceu
E num cantinho bem bordado
O seu nome, junto ao meu

A manguaça

Em um boteco aqui perto de casa, o Boteco do Toninho, foi onde aprendi muito sobre o brega, e o dono além de ter muitos vinis do Bartô, também teve a oportunidade e a honra de abrir um show do mestre.

Show em Serra Pelada

Outra história engraçada que eu li numa entrevista sua foi uma que, quando ele foi fazer show no garimpo de Serra Pelada, numa altura do show, o pessoal começou a atirar para o alto, Bartô que ficou com medo e perguntou para o organizador do show o que era aquilo, que respondeu: “fica tranqüilo, Bartô, se eles estão atirando é porque estão gostando”.

Tristeza, sofrimento e tragédia

Bartô Galeno tem músicas que parecem Joy Division parecer brincadeira de criança. “Sorriso de Moça” é um dos melhores exemplos. Num arranjo todo em acordes menores, a música fala do sofrimento de uma menina inocente que entregou todo o seu amor, e hoje é uma mulher desiludida e vítima de uma maldade: “O que foi que fizeram com ela que ela chorou / ela era feliz e cantava cantigas de amor / hoje vive calada e tão triste num canto sozinha / nem parece a moça bonita que ontem sorria / Seu sorriso de moça bonita / alguém carregou / ela hoje é mulher / e a vida já não tem valor”.

Outra música, que apesar de também trazer sorriso no nome, é uma das suas mais tristes e belas canções, é “Sorriso Forçado”. A música começa com ele dizendo que “quando agora for passado, vou lembrar que fui coitado”; porém, traz uma esperança típica dos românticos, “meu sorriso que é forçado, vai ser livre e demorado, pois a vida que eu sonhei, eu sei que vai chegar”. Fala da mulher que sorri agora, enquanto ele chora, mas um dia chegará sua vez de também sorrir, isso com um lindo solo de cordas e oboé ao fundo: “Você sorri de mim agora, se esquecendo que no amanhã, quem hoje vai chorando embora, também terá motivos pra sorrir”.

Uma espécie de resposta à música da Pitty que diz que “memórias, não são só memórias”, “Só Lembranças” diz: “só lembranças, só lembranças, só lembranças, e nada mais”. É um ótimo exemplo de ultra-romantismo, trágico e irreversível: “Nos braços de outra qualquer, eu procuro me esquecer de quem me fez infeliz, mas eu sei que não vou ser feliz nunca mais, vai lembrança pra longe pra ver se eu consigo outra vez minha paz”.

Mas, talvez sua música genialmente mais trágica e concisa seja Você Vai Partir: “Você vai partir, e eu vou ficar aqui, e aqui vou me acabar”.

Uma música que tem uma letra das mais bonitas é uma que chama “Palavras Perdidas”, em que ele além dele cantar a genial frase “eu tenho medo, mais do amor do que da morte”, ele também critica as pessoas que apenas falam de amor, pois isso é fácil, o difícil é que as palavras sejam sinceras: “tenho medo que sejam mentiras estas suas palavras”, “falar de amor é muito fácil, pois todos falam, são palavras perdidas que você fala e logo se esquece”.

Romantismo

Nem só de tristeza são feitas as músicas de Bartô Galeno. Elas também retratam o quanto é doce e gostoso estar apaixonado, onde ele chega ao ponto de dizer que quer ver a mulher acordando despenteada; pense o quanto precisa estar apaixonado para querer algo assim? É paixão pura.

“Momentos coloridos”: “Quero, quando chegar o amanhã, ver em meus braços, você despenteada, sorrindo feliz”.

“Você”: “Você que é pura de carinho, que está no meu caminho, no meu jardim você entrou, “, e no refrão: “Você, minha querida, minha amiga, minha vida, você, que em sua boca me mostrou o céu, você que tanto envolve a natureza do meu ego, você que é minha musa, que é meu se e é meu por que”.

“Eu quero”: “Eu quero, ver o seu corpo rolando na cama / eu quero ouvir você dizendo que me ama / eu quero em seus braços me perder / eu quero, ver amanhã na minha despedida / olhar você despenteada e ainda mal vestida / me abraçando e me pedindo pra ficar”.

A letra de “Imensa Euforia” mostra o que é de verdade um amor: “quero te dar o mundo em forma de amor, tudo farei para que não sintas uma dor”.

Desespero

“Esta Noite eu Preciso Te Amar” mostra um Bartô Galeno mais desesperado que noivo em festa de casamento, esperando a noite de núpcias: “deixa eu tocar o seu corpo na cama / pra ver você dizer que me ama / deixa, deixa eu sonhar / deixa eu fazer dos seus braços meu ninho / e esquecer que vivo sozinho / esta noite eu preciso te amar / quero, esta noite ter você ao meu lado / e viver os momentos sonhados / esta noite eu preciso te amar”.

A melhor música: “O Grande Amor da Minha Vida”

Tem todos os elementos de um bom brega: é cantada a plenos pulmões, fala da desgraça de não ter a mulher amada, como seria bom estar com ela, e culpa o destino por essa desventura: “se eu pudesse neste momento estar contigo meu amor / nesta hora eu não seria um sofredor / eu seria o homem mais feliz do mundo / mas o destino a cada instante me separa de você / deste jeito eu sei que vou enlouquecer / na sua ausência, vou morrer na solidão”. E pra fechar, ainda tem uma recitação: “Amor, não consegui gostar de mais ninguém. E sabe por que amor? Porque você é o grande amor da minha vida”. Simples e perfeito.

“Não Vou te Perdoar”: a questão do perdão na música brega

No brega, na maioria das vezes a traição não é suportada e nem perdoada, pois isso demonstraria fraqueza e até diminuição da masculinidade e virilidade do traído. Porém, pouquíssimas músicas falam com tanta precisão da questão do perdão na traição quanto em “Não vou te perdoar” de Bartô Galeno. A música também fala da vergonha que a traição causa, que seria pior que o ciúme. Mas no último verso, ele acaba cedendo, e a perdoa.
Preste atenção no ótimo arranjo, uma balada muito melancólica, com um phaser ou chorus muito legal na guitarra, que cai como uma luva para a letra extremamente angustiada:

Não Vou te Perdoar (Bartô Galeno)

Quando eu soube que você
Se envolvia com outro alguém
Eu senti uma coisa estranha
Não foi ciúme, foi vergonha

Pois eu nunca imaginei
Que você agisse assim
Quase não acreditei
Que bobo eu fui, pobre de mim

Nossas brigas passageiras
Me levaram a acreditar
Que durante a vida inteira
A gente fosse se amar

Não consigo entender
É difícil de aceitar
Atitude como essa
Chega mesmo a revoltar

Não sei se vou te perdoar
Eu não vou te perdoar
Não sei se vou te perdoar
Eu não vou te perdoar

…Mas eu vou te perdoar

Desgraça

Em “Nesta Casa Onde Morou Felicidade”, além de um casamento desfeito, a desgraça é maior porque seus filhos não querem ouvi-lo nem como amigo.

Letras curiosas

Uma das suas letras mais criativas e curiosas é “Lembranças do Rei”, que é feita inteira somente com nomes de músicas do Roberto Carlos, uma das suas maiores influências:

Malena, esqueça dele meu bem,
Quero ter você perto de mim,
Os velhinhos querem acabar comigo
Ninguém vai tirar você de mim

É papo firme, eu te amo, te amo, te amo
Eu estou apaixonado por você
O diamante cor-de-rosa, minha senhora
É meu, é meu, é meu

Tudo que sonhei, nada vai me convencer
Amigos, amigos, ciúme de você
Não quero ver você tão triste
Você é linda, não adianta nada

Não há dinheiro que pague
Ternura antiga

Em “Ela Não Vem”, diz “Que bom seria, se meu bem chegasse agora, bem suadinha e se jogasse nos meus braços”

Carro Hotel

Bartô Galeno tinha uma fixação com carros em suas músicas. Além do clássico “No Toca-Fitas do Meu Carro”, há também “Carro Hotel”, uma engraçada descrição de um carro muito brega.
O começo da letra parece ter sido inspirada em “Calhambeque” do Roberto Carlos:

Pra vocês que não conhecem o meu carro
Vou decifrar mais ou menos como ele é

Depois ele faz uma descrição detalhada de todos os apetrechos do carro:

Tem toca-fitas, ar refrigerado e televisão
O meu carro é uma tremenda mansão

E no refrão, simplesmente genial, ele diz que o carro serve perfeitamente como motel:

Carro-Hotel, banco e cama
A gente ama, Olhando o céu

Depois vêm mais acessórios, e com aquela falta de modéstia que também aparece em “Calhambeque”:

Rodas cromadas, pneus tala-larga,
Faróis alto e baixo, teto solar
E é por isso que as gatinhas se amarram
E todas querem no meu carro passear

Outra música versando sobre o assunto carros e velocidade, só que aqui juntamente com os temas amor e morte, quase onipresentes em sua obra, é “Saudades de Rosa”, em que ele diz, com barulhos de carros acelerando ao fundo: “eu ontem tive tanta sorte, a malvada da morte andou perto de mim, eu no meu carro dei bobeira, numa brincadeira quase levo o fim, andava a toda velocidade, pra superar a saudade que andava junto a mim, esta saudade era de Rosa, (…) compreendi que estava errado, que não se deve morrer por amor”.

Timbres e Arranjos

Praticamente todas as suas músicas tem ótimos timbres, tanto de baixo, bateria, quanto de guitarras, cordas e sopros. Porém, algumas das músicas se destacam, com relação aos melhores arranjos:

“Quem ama tem ciúme” tem um solo espacial de sintetizador, bem típico de rock progressivo dos anos 70; impressionante, e impagável. A música é uma balada como a maioria das outras, mas na hora do solo, o som fica de uma loucura só.

Em “Você Vai se Arrepender” vemos Bartô Galeno botando pra quebrar em um funk-soul que não fica devendo em nada aos mestres do estilo. Mostrei para um amigo que é grande conhecedor e admirador de música black, que gostou tanto da música que pediu pra repeti-la umas três vezes.

“Vou Tirar Você Daqui” é um soul à la Roberto Carlos dos anos 70, mas tem um solo estrambólico de sintetizador que não fica nada a dever a Rick Wakeman.

A seqüência de “quase-rocks”: “Esta Noite Eu Preciso Te Amar”, “Coisas da Vida” e “Nosso Amor Já Morreu”.

A linha de baixo de “Você me Pertence”.

Atualmente

Bartô Galeno continua lançando discos, e embora não tenha mais a mesma voz, hoje já curtida por anos de cachaça, e os arranjos das músicas não serem tão bons quanto antigamente, as músicas continuam emocionadas e apaixonadas, muitas sendo dramaticamente exageradas, como um bom brega deve ser.

Os discos “Bartô, Simplesmente Bartô” e “Acorrentado a seus pés” são também recomendados aos fãs do brega. Em “Amor Caliente”, ele diz: “vou colocar o seu nome na chave do carro, vou me tornar refém da suíte de luxo do vigésimo andar do seu coração”, e em outra ele diz “é muito bom, é muito bom, beijo na boca com sabor de hortelã”. O seu filho que também está seguindo a carreira de cantor, com o nome de Bartozinho Galeno, tem uma voz boa, e compôs uma música muito boa para o disco.

Carlos Alexandre

Carlos Alexandre é um dos pioneiros na fusão entre o brega e o rock, e também um dos principais representantes do brega debochado. Porém, antes de falarmos dessa característica, vamos falar de seus maiores sucessos, onde você certamente se lembrará quem é esse cantor. Seu maior sucesso é “Feiticeira”, que tem uma estrutura muito simples, com basicamente dois acordes, um ritmo pop rock e pouco mais que 2 minutos, a música é praticamente um sinônimo de brega, apesar de não ser de um romantismo exacerbado. Quem nunca ouviu os seguintes versos:

Feiticeira, feiticeira
Feiticeira é essa mulher que por ela gamei
Feiticeira, feiticeira
Eu não posso negar o feitiço que ela me fez

Um de seus outros maiores sucessos, “Ciganinha”, também segue praticamente a mesma estrutura, e envereda por um caminho parecido, falando das características de uma mulher, e também falando de um tema que estava em voga na época, os ciganos, um povo que sempre despertou a curiosidade, e serviu de matéria-prima para muitos cantores bregas:

Você é a ciganinha, dona do meu coração
Não tenho sangue cigano,
Mas vou pedir a sua mão

Só por estes dois inegáveis clássicos, ele já garantiria seu nome no panteão dos maiores artistas do brega, mas ele também é um dos pioneiros, e talvez um dos criadores da vertente do brega debochado, onde também existe humor e não apenas tristeza como na maioria dos bregas ultra-românticos. E ainda, no que diz respeito à musicalidade, foi um dos que melhor fizeram a fusão entre o brega e o rock, ou pop-rock, colocando um pouco mais de velocidade, em contraste com a lentidão das baladas de Bartô Galeno, por exemplo, e indo num caminho totalmente diverso dos bregas abolerados de artistas como Genival Santos.

“Arma de Vingança” fala sobre um ricardão que também é corno, ele é o ricardão por ter sido “usado como arma de vingança para fazer o mal ao seu namorado”, só que ele também é corno porque “agora ele volta pra você e você me deixa de lado”. Apesar de ter ingredientes românticos como dizer que ela o beijou na boca, o deixou apaixonado e que vai chorar por lembrar, a situação inusitada e o criativo termo e título “arma de vingança” dão o tom cômico da música.

“Já Troquei Você por Outra” mostra o deboche e a raiva logo no título, o que aproxima do rock, por sua irreverência.

“Mulher Igual a minha (Só em Outra Geração)” é daquele tipo de brega que o cara fica falando que a sua mulher é uma chata de marca maior, possivelmente o Falcão se inspirou nessa música para fazer “Mulher Mala”. Exemplos: “Se vamos a um cinema, e o filme é de amargar, ela diz que o filme é bom, e me manda estudar”, “se vamos a um restaurante e eu peço o jantar, ela diz que nada presta”.

Mas talvez o máximo da sua raiva, indignação e revolta esteja em “Vá Pra Cadeia”: “agora vá pra cadeia, que eu não quero mais te ver / é a polícia te levando, eu aqui fico zombando do teu jeito de viver / agora vá pra cadeia, porque o mundo é moderno / já que eu não te quero mais, vá morar com Satanás, lá nas grades do inferno”. O que tem a ver falar que o mundo é moderno? Deve ser só para rimar com inferno. Uma outra frase forte da música: “mas estou arrependido de um dia ter sofrido por uma mulher tão feia, você não merece amor, o carinho que eu te dou é a chave da cadeia”; aqui ele subverte o brega, pois o brega quase sempre é romântico, ou seja quase sempre idealiza a mulher como uma deusa, sempre linda. Aqui ele é quase um punk, porque deixa a raiva falar mais alto. Acredito que o Carlos Alexandre nunca foi e/ou nunca teve a pretensão de ser um ídolo romântico para as mulheres, e se tivesse sido, essa música pode ter causado um impacto nessa impressão. Imagine Roberto Carlos chamando uma mulher de feia!?

É interessante que existe uma espécie de seqüência para “Vá Pra Cadeia”, que é a música “Senhor Delegado”, em que ele pede para o delegado soltar a mulher dele que está presa. Mas quem pensa que o sacana e debochado Carlos Alexandre está arrependido por ter mandado prender a mulher está muito enganado. Ele, um fanfarrão, e um folgado exemplar, quer ela de volta para fazer comida e café: “Senhor delegado, solte essa mulher, preciso dela cedinho pra fazer o meu café”, mas ele não é capaz de “lembrar que há pouco tempo lhe chamou de feia”, na música “Vá Pra Cadeia”.

Outra música em que ele chama mulher de feia é “Não marco encontro por telefone”, que continua atual, por tratar de um problema que ainda existe com o advento da internet. Mulheres que não mostram fotos são de desconfiar, se mostram só fotos de rosto é quase certo que sejam gordas, tem os recursos de Photoshop e garotas que não são lá aquelas coisas, mas que fazem um book e milagrosamente ficam lindas. Claro que isso vale também para as garotas que irão fazer as tentativas de encontrar seu príncipe encantado pela rede mundial de computadores. Um pequeno parênteses cabe aqui: quase sempre nos damos mal imaginando que a dona da voz seja tão bonita quanto a voz, e ao encontrarmos nos decepcionamos; mas comigo se deu o contrário, coisa rara. A voz era feia, e não dei muita atenção para a garota, e um dia que estava sem fazer nada em casa, liguei para ela e combinamos de nos encontrarmos. Ao chegar lá enorme foi a surpresa ao ver que era uma das garotas mais lindas e cheirosas que eu já tinha visto na minha vida. Ainda bem que consegui dar alguns beijos com a garota, e inclusive logo após parecia que eu estava pisando nas nuvens, e fiquei pensando uns dez minutos “onde eu estou?”. Depois disso eu ligava direto para ela para marcarmos de nos encontrarmos novamente, aí era ela que ficava me enrolando, me enrolando, e nunca mais nos vimos. Fica aí a lição! Pois então, voltemos à música: ele garante e jura que nunca mais vai marcar encontro por telefone, e conta o caso que aconteceu com ele: “eu estava no hotel, o telefone tocou, uma voz tão carinhosa me chamava de amor, me encantei com a voz e convidei-a pra sair, mas ao ver ela de perto, digo com sinceridade, deu vontade de dormir”, “aquela voz carinhosa que eu ouvi por telefone, ao ouvir pessoalmente, parecia voz de homem, a mulher era tão feia, que me deixou horrorizado e eu pensei comigo mesmo, será que marcar encontro por telefone é pecado”.

Uma das melhores imagens de deboche é um trecho de “Traiçoeira”, em que ele diz: “quando você for embora, me avise a hora da sua partida, eu vou na rodoviária comemorar a sua ida, quando o carro sair você vai ouvir eu soltar foguetão”. Imagine, o Carlos Alexandre, na rodoviária soltando foguetão!!!

Existem também grandes músicas de Carlos Alexandre que seguiram um caminho mais tradicional da música brega, a música de corno, como “Por que você não responde”, que já começa com a clássica frase “eu preciso tanto saber como vai aqueles olhos tristes” e tem o forte refrão “por que amor eu chamo tanto e você não responde”.

“Se Você Fosse Por Mim”, tem um riff marcante, e apesar de seguir um tom mais tradicional, ele fala abertamente, “e agora vem você, querendo que eu lhe aceite outra vez, pra você me fazer de trouxa como você fez”.

“Cartão Postal”, que tem um ritmo meio sertanejo, é um dos mais bonitos bregas românticos já feitos: “estou lhe escrevendo com o coração partido de dor, pois estou sentindo uma vontade louca de beijar seus lábios, de abraçar seu corpo, e ficar quase morto com o beijo seu”, ele fala que está mandando para a amada um cartão postal com a foto da catedral onde eles se beijaram com juras de amor, e perante o altar, “os nossos olhos banhados em prantos, eu lembro que eu chorei e que você chorou”.

Ainda tem “Final de Semana” que é um pop extremamente delicioso, lembrando os melhores pops new wave dos anos 80. Ele diz que não tem muito tempo pra ficar perto da amada, pede pra ela não pensar que ele tem outro alguém. E uma das coisas mais gostosas é passar um fim de semana junto com quem gostamos, e o ótimo refrão diz: “eu quero passar um final de semana contigo”.

Bielorrussia

Ah, Bielorrússia!!! Era o apelido de um figura que tinha nos famosos eventos do Improlivre no extinto Bar Riviera, entre a Av. Paulista e a Av. Consolação. Estes eventos eram de música improvisada, ele estava presente em todos pra assistir, mas ele sempre dizia: “o único lugar do mundo onde se faz música improvisada, música de vanguarda, é na BIELORRÚSSIA!!!

Ex-república da União Soviética, atualmente é governada por um ditador, onde existe polêmica pelo fato de Portugal e o papa quererem apoiar o ditador.

Barbados

A boa notícia para Barbados em 2011 é que agora passou a ter voos diretos do Brasil pra lá. E com isso, facilitam os pacotes de viagem pra lá. Eu lembro que eu vi um relato no mochileiros.com de alguém que passou sérias dificuldades por causa do setor de imigração de lá, deixaram o cara preso uns dias por lá, na alfândega, algo do gênero.

Fico me perguntando, como deve ser morar em um país tão pequeno (um terço do tamanho da cidade de São Paulo, mais ou menos 400km², e ainda mais sendo uma ilha). Tenho bastante curiosidade em conhecer vários destes países.

Uma cidadã ilustre deste pequeno país é a belíssima e sensualíssima cantora Rihanna.

Que maravilha! Na praia, à vontade, jeito inocente de menina, corpão de mulher!

Aqui ela está mais produzida!

Barbados tem o terceiro maior IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) das Américas, só perdendo para Estados Unidos e Canadá! Neste seguinte link parece se falar disso