36ª Mostra, “Aquele Querido Mês de Agosto”

(Miguel Gomes, 2008, Portugal)

Já havia visto este filme em uma Mostra anterior, mas gostei tanto que fui revê-lo e foi o primeiro filme que assisti nesta Mostra. Comecei muito bem a Mostra, é um daqueles filmes que gostamos tanto e que levamos no nosso coração.

São duas horas e meia de uma mistura muito louca de musical brega, road movie, tradições portuguesas, experimentalismos, romance (incestuoso) e ficção com documentário, onde não se sabe exatamente onde termina um e começa o outro.


Melhor música do filme, “Baile de Verão”, com o refrão “Aperta, aperta com ela, toda a malta gritou até o padre ajudou, aperta aperta com ela”

Li uma crítica à época da primeira vez que ele passou na Mostra de 2008 que dizia que o filme é uma espécie de Nashville portuga, o que faz muito sentido, pois a música é um dos elementos mais importantes do filme, que acompanha a turnê da banda Estrelas do Alva, com músicas no estilo português “pimba”, que tem muitas semelhanças com o nosso brega brasileiro: músicas simples, bonitas e emocionantes, e ainda com o bonito e indefectível sotaque lusitano, com destaque para “Baile do Verão” e “Aquele Querido Mês de Agosto”.


A música que dá nome ao filme: “Meu Querido Mês de Agosto”

A sinopse é mais ou menos o seguinte: uma equipe de filmagem está em Portugal para filmar uma história de amor incestuosa entre pai e filha que tocam numa banda chamada Estrelas do Alva, e a filha acaba se apaixonando pelo primo, e o primo também começa a tocar na banda. Mostra o produtor bravo com o diretor porque já gastou bastante filme filmando as tradições e festas do mês de agosto e ainda não começou a filmar a história citada acima; e é justamente essas “voltas” e a grande quantidade de músicas que deixa o filme interessante, se fosse somente a história filmada seria apenas mais um filme sobre incesto. Por outro lado isso deixou o filme relativamente longo: duas horas e meia, o que pode se tornar um suplício pra quem não estiver na mesma onda do filme.


Mais uma singela canção: “adeus amor, mas tenho o mundo à minha espera e a primavera pode acabar, (…) gosto delas loiras ou morenas, bonitas, sejam grandes ou pequenas, que falem grego, russo ou irlandês… ou português; seguindo sempre em frente o meu caminho, somente uma que nunca me deixou sozinho: minha guitarra” (aí segue um solo de guitarra no alto da montanha)


Breguíssima e linda canção: “passear contigo, amar e ser feliz, o que mais quero da vida?”, com imagens passando como se fosse uma viagem


Essa é tradicional portuguesa, com sanfonas e banjo, onde se passa uma espécie de desafio entre os cantores: “eu já bebi uns copinhos, mas me diga quem souber, se aqueles dois é pai ou filha, se é marido ou mulher”


Nessa aqui o Agrupamento Diapasão mostra a amargurada história do homem que passava todas as noites num cabaré e um dia vê chegar sua própria esposa, que cansara de dormir sozinha: “ela decidiu abandonar o papel de esposa para viver junto às mariposas que fazem ponto naquele lugar”

Mostram-se as tradições portuguesas, a noite dos Culhões, música tradicional com sanfona, procissões. O destaque que se dá à história do personagem que pula da ponte todo ano é surreal e engraçado. O ano de agosto é muito comemorado em Portugal, pois é um dos meses mais quentes do ano e tem muitas festas. Clássico absoluto!

Aquele Querido Mês de Agosto

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